Em 2024 foi decidida a eliminação de um conjunto de taxas de portagens, que nunca deveriam ter existido, nas autoestradas construídas como «sem custos para os utilizadores» (SCUT).
Estas vias foram transformadas em vias com custos para os utilizadores logo em 2010, inseridas num negócio de contornos nada claros, o das PPP, que na prática fizeram e fazem as populações reféns do lucro desmedido das concessionárias.
Nos últimos meses entraram em vigor algumas medidas isoladas para os utilizadores de transportes públicos, a que se juntam sucessivos anúncios e promessas, mas continua a não haver transportes em quantidade e com o conforto que se exige.
A realidade dos transportes públicos no distrito do Porto é marcada por autocarros e carruagens sobrelotados, transportando os utentes como sardinhas enlatadas; tempos de espera infinitos na paragem, porque o autocarro falhou ou porque os horários não são adequados; soluções isoladas e desigualdades territoriais, sem uma preocupação de garantir o conforto e mobilidade regional para todos.
É neste quadro que a DORP do PCP realiza, esta semana, uma acção na região em defesa de mais e melhores transportes públicos, destacando a necessidade de garantir o reforço da frequência dos transportes públicos: mais autocarros, mais carruagens de Metro e de comboio e horários compatíveis com as necessidades dos utentes. É preciso garantir uma oferta de qualidade, acessível e progressivamente gratuita.
Após meses de preparação, entra hoje em vigor a anunciada proibição de circulação de veículos pesados de mercadorias abrangidos pelo novo regulamento na VCI. Neste processo a preocupação do Governo e da autarquia com a propaganda em torno da medida não foi acompanhada do desejável envolvimento de representantes das empresas e dos trabalhadores do sector, como demonstra o facto de só ontem ter ficado disponível a plataforma onde os veículos autorizados, nomeadamente os que abastecem a cidade, se podem registar.
Como sempre afirmamos, a retirada dos pesados da VCI é uma medida há muito necessária, tendo em conta os problemas de congestionamento, segurança rodoviária, ruído e poluição, mas não resolve, por si só, o problema da VCI. Existe ainda o risco de uma simples transferência do tráfego para outras vias e localidades, agravando os problemas enfrentados pelas populações aí residentes.
Ontem várias composições do Metro do Porto tiveram de ser retiradas de circulação devido a falhas no sistema de refrigeração/ar condicionado, numa situação que provocou atrasos, desconforto e constrangimentos para milhares de utentes. A informação pública, institucional e atempada aos passageiros continua manifestamente insuficiente, revelando uma preocupante desconsideração por quem depende diariamente deste meio de transporte.
É certo que as temperaturas registadas nos últimos dias são particularmente elevadas. Mas os problemas de funcionamento do Metro do Porto são muito anteriores a este episódio. Há muito que se acumulam queixas de utentes em dias de maior calor, seja porque os sistemas de ar condicionado não funcionam devidamente, seja porque se revelam incapazes de garantir condições aceitáveis em composições frequentemente sobrelotadas.