O anúncio do Governo sobre soluções para a VCI, na sequência da reunião de hoje do Governo com a Área Metropolitana do Porto, vêm tarde e não são qualquer solução válida para o problema grave que temos.
A CDU considera que:
1) Se tratou de mais uma operação de propaganda feita por quem, em Setembro de 2024, anunciou uma “solução definitiva para os problemas do trânsito na VCI” até ao final do ano de 2024 e vem agora, em plena campanha eleitoral prometer uma “possível” medida que não tem nada de significativo e não enfrentará os problemas estruturais da mobilidade na região, nem incide sobre problemas graves da Via de Cintura Interna;
2) A eliminação do trânsito de entrada e saída na cidade do Porto, atravessando a VCI, não se faz sem o reforço da oferta pública de transportes, que carece de um rápido e significativo investimento público num contexto em que a VCI está com uma frequência de 133 mil veículos dia. Não há, por isso, solução sem resolver o problema da sobrelotação de metro, comboio e autocarros no acesso à cidade do Porto, particularmente em hora de ponta, e se não se concretizarem as novas linhas de Metro há muito prometidas;
3) A eliminação do trânsito de atravessamento da VCI por quem faz o trajecto Sul/Norte e Norte/Sul que atravessa a via sem destino ao Porto tem que ser desviado para a CREP, o que reclama o fim das portagens nesta via, para todos os veículos, medida proposta recentemente pelo PCP na Assembleia da República e chumbada por PSD/CDS, PS, e IL;
4) Coloca-se ainda a necessidade de construção de uma Circular Regional Interna do Porto (criando um anel entre a VCI e a CREP), permitindo uma ligação à A4/A3 entre Gondomar e a zona de Ermesinde/Valongo;
5) A resolução dos problemas de trânsito na VCI reclama ainda o impedimento de circulação de viaturas pesadas na VCI, pelo menos daquelas que não se destinam à cidade, durante as horas de ponta da manhã e do final da tarde;
6) A situação reclama ainda a adoptar de medidas para garantir uma mais rápida intervenção na resolução dos acidentes e avarias que causam inúmeros engarrafamentos com consequências na circulação em toda a cidade e municípios vizinhos (não é aceitável, por exemplo que a VCI esteja, consoante o ramo, sob a responsabilidade da PSP ou da GNR, com as habituais dificuldades de articulação, além de que não é aceitável que se tenha que esperar horas por reboques em caso de acidentes e avarias na VCI);
7) É ainda fundamental estudar se a requalificação de alguns nós, designadamente o de Francos e de acesso à A3, podem melhorar a segurança e o escoamento do trânsito.