Os trabalhadores estão a fazer hoje uma grande Greve Geral, confirmando a derrota do Pacote Laboral e exigindo, de forma inequívoca, a sua retirada.
No distrito do Porto a Greve Geral está com uma adesão muito significativa nos vários sectores de actividade, tanto no público como no privado, com uma expressão que terá ultrapassado a verificada na jornada de luta do passado dia 11 de Dezembro.
A vida na região está amplamente marcada pela Greve Geral, apesar de todas as manobras de diversas entidades patronais ou da definição de serviços mínimos desproporcionais para condicionar o direito à greve e limitar os seus impactos.
A produção industrial está afectada, com produção parada ou fortemente condicionada na AAPICO, Cabelte, Contrastêxtil, Ficocables, Groz-Berckert, Hutchinson, Lactogal, Preh, Super Bock, Teijin, Wedrone….
Juntaram-se também à Greve Geral os trabalhadores do sector da hotelaria, da restauração e do turismo, levando ao encerramento de mais de 600 cantinas de escolas, de hospitais, centros de formação, fábricas e outras empresas no norte do País, para além do condicionamento do funcionamento de vários cafés, restaurantes e hotéis, como o Hotel Tuela e o Hotel Fénix que ao longo do dia não têm serviço de refeições e têm o serviço de quartos fortemente condicionado.
No Comércio e Serviços a adesão e os impactos da Greve Geral fizeram-se sentir desde os locais de trabalho da logística e distribuição comercial até aos supermercados, lojas de venda ao público e bombas de gasolina, algumas delas encerradas na cidade do Porto.
A paralisação nos transportes é praticamente total. Nos comboios apenas foram assegurados os serviços mínimos, a generalidade das bilheteiras estão encerradas e nas oficinas da CP a adesão foi superior a 90%. Na STCP a adesão foi total durante a madrugada e a manhã. O Metro do Porto, além do encerramento das lojas Andante, não tem circulação para a Maia, Gondomar, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Aeroporto, centro de Matosinhos e Vila D’este - apenas houve serviço em 2 troços, mas fortemente condicionado no horário e frequência. Os trabalhadores dos transportes de mercadorias também aderiram à Greve Geral, destacando-se a adesão de mais de 90% dos trabalhadores do centro logístico da Maia da transportadora Rangel.
Expressão significativa é igualmente verificada em locais de trabalho do sector da cultura, com encerramentos de livrarias e adesões totais em companhias artísticas como a Palmilha Dentada, o Cinema Batalha ou a ACE Escola de Artes; da limpeza industrial, com adesões de 90% nas empresas que prestam serviços de limpeza nos Hospitais e várias empresas do distrito; do sector social, com o encerramento de serviços no Centro Social de Soutelo e na Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral; no sector financeiro, com encerramento de serviços de atendimento ao público nos balcões da CGD de Ermesinde, Avintes ou Fonte da Moura; na Hospitalização Privada, com cancelamento de consultas, exames e cirurgias não urgentes em hospitais dos grupos Luz saúde e Cuf, assim como no Hospital Santa Maria; na recolha de resíduos urbanos, com adesões de 75% no turno da noite da EMAP (Porto), 60% no turno da manhã da Maia Ambiente e 100% na FCC (Marco de Canaveses).
A adesão dos trabalhadores da Justiça é significativa, como se verifica pelos 95% de adesão no Tribunal São João Novo ou pela adesão total (apenas funcionam serviços mínimos) nos tribunais do Trabalho de Gaia, de Família e Menores do Porto, de Pequena Criminalidade e o Juízo de Instrução Criminal do Porto, entre outros.
A rejeição do Pacote Laboral pelos trabalhadores da Administração Pública tem igualmente expressão no encerramento de escolas e cancelamento de muitas dezenas de aulas nas faculdades do distrito, o cancelamento de consultas e cirurgias programadas e não urgentes, o encerramento de balcões de atendimento da Segurança Social e outros departamentos da Administração Central, a adesão em várias Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, que condicionou fortemente os serviços da Administração Local.
A DORP do PCP reafirma o seu apoio e a sua solidariedade com todos os trabalhadores em luta, destacando a justeza da luta contra o pacote laboral, a exigência da sua rejeição e o combate ao aumento do custo de vida, ao mesmo tempo que aponta à necessidade de abrir caminho a soluções para a elevação das condições de vida de quem trabalha, com salvaguarda dos direitos e valorização dos salários.
Porto, 3 de Junho de 2026
DORP/PCP






