A Comissão Concelhia de Santo Tirso do PCP expressa a sua solidariedade para com as populações afetadas pelo incêndio que afetou o território e um enorme agradecimento aos bombeiros que, com todas as dificuldades materiais conhecidas, ajudaram a que não estejamos, hoje, a lamentar a perda de vidas.
Ano após ano, o concelho caracterizado pelo executivo camarário como sendo "um dos mais verdes do país" sofre a tragédia dos incêndios florestais.
Sofre com a ausência de ordenamento de um vasto território florestal onde faltam quebra-fogos, estradões de acesso e onde a repetição sucessiva de incêndios florestais contribui para a crescente degradação da floresta, dos solos e do ecossistema local.
Sofre com a monocultura dos eucaliptos, que beneficia uma pequena minoria, impede a arborização com espécies autóctones, desvaloriza a floresta e, por essa via, prejudica a comunidade tirsense, ao fazer com que a floresta em vez de ser um activo ao serviço do desenvolvimento da região, passe a ser uma ameaça às populações.
Sofre com a falta de limpeza dos terrenos e com a insuficiente fiscalização das entidades competentes. Note-se que de acordo com as declarações dos munícipes afectados pelos incêndios que vieram a público, quer a Câmara Municipal de Santo Tirso, quer o SEPNA da GNR, foram várias vezes alertados para a deficiente limpeza dos terrenos na zona onde lavrou o incêndio.
Para evitar todo este sofrimento, a Comissão Concelhia de Santo Tirso realça a importância de medidas estruturais de gestão florestal que revertam os danos causados por décadas de política de direita.
É necessário um Programa de Defesa e Valorização da Floresta Nacional - tal como proposto pelo PCP aquando da discussão para o Orçamento de Estado de 2026 - com medidas para: o desenvolvimento e manutenção da rede primária de faixas de gestão de combustível; a concretização do Programa Nacional de fogo Controlado; a criação de equipas de sapadores florestais (com o objectivo de alcançar as 500 equipas), a aceleração da execução do cadastro; a rearborização com espécies autóctones ou o fomento de culturas permanentes e o apoio à limpeza de terrenos, dirigido em particular aos pequenos proprietários florestais e aos baldios.
E são sobretudo necessárias medidas de fundo:
- No plano económico e social é preciso intervir no preço da madeira para viabilizar a gestão florestal, apoiar a pequena agricultura e a agricultura familiar, e assegurar serviços públicos e emprego de qualidade para fixar as populações no meio rural.
- No plano do ordenamento e gestão florestal é necessário concretizar a Lei de Bases da Floresta e os Planos Regionais, promover espécies autóctones em detrimento do eucalipto, e reforçar o associativismo florestal (nomeadamente as ZIF).
- E no plano mais geral, operacional e estatal, faz falta reforçar os serviços do Estado (ICNF), reconstituir e aumentar o Corpo de Guardas Florestais e dotar os bombeiros de meios e condições de comando adequadas para garantir a eficácia no combate aos incêndios.
Neste contexto, também o município de Santo Tirso precisa de reforçar os meios que dedica à prevenção de incêndios florestais.
Sem esta mudança de políticas, não é possível uma floresta que se mantenha saudável, aprazível, produtiva e segura para as populações.
Comissão Concelhia de Santo Tirso do PCP





