Economia

Privatização dos urbanos da CP é negativa para a região e para o país

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20260209 cpUma delegação do PCP, integrando o deputado pelo círculo do Porto, Alfredo Maia, e membros da Direção da Organização Regional do Porto, reuniu-se hoje com representantes da Comissão de Trabalhadores e da Sub-Comissão de Trabalhadores do Porto da CP e da Direção do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário.

O encontro analisou as decisões sobre a empresa pública de transporte ferroviário de passageiros recentemente anunciadas pelo Governo, de entre as quais se destaca, pela sua gravidade, a intenção de sub-concessionar as linhas mais rendíveis, nas quais se inserem os comboios suburbanos/urbanos do Porto.

Na operação de privatização em preparação que, a consumar-se, levaria à destruição da CP enquanto grande empresa nacional, o Governo pretende retirar-lhe a operação nos serviços suburbanos com melhores resultados em Lisboa e Porto, obrigando-a a subconcessioná-los a privados, pondo assim em causa toda a actividade da empresa em termos nacionais, a sua própria sobrevivência e os direitos dos trabalhadores.

Além desse golpe de morte na operação global da CP, que, com a entrega a privados das linhas que geram maiores resultados, ficaria reduzida aos serviços regionais e de longo curso, foram analisados os riscos de fragmentação ainda maior da empresa, com a privatização também de áreas estratégicas como as bilheteiras e as oficinas.

As organizações representativas dos trabalhadores (ORT) e o PCP convergiram na conclusão de que a operação em marcha de desmantelamento da CP e de entrega de linhas e actividades aos grandes interesses – cuja gula tem tido aliás expressão pública – levaria à subtracção de receitas vitais à CP; à deterioração da qualidade, fiabilidade e segurança do transporte ferroviário; à degradação ainda maior das condições dos trabalhadores; a elevado volume de despedimentos; à intensificação do trabalho; e à generalização da precariedade.

Para o PCP, a privatização e pulverização das empresas a operar na ferrovia é um caminho perigoso e contrário ao interesse nacional, que apenas serve os interesses e o lucro dos grupos económicos à custa da segurança e da fiabilidade do sistema e dos recursos públicos sempre negados à CP.

O que é urgente é reverter o processo de liberalização em curso, relançar e valorizar o sector ferroviário e a sua empresa nacional – a CP! – com o investimento no desenvolvimento da ferrovia, na modernização do material circulante, no reforço da oferta, na melhoria das carreiras, salários e outras condições dos trabalhadores.


Porto, 9 de Fevereiro de 2026
O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP