
Durante o tempo decorrido do que foi a liquidação de uma empresa “assassinada”, os cúmplices na sua extinção, tal como hoje, nunca deixaram de afirmar acreditarem na hipótese de “salvação” da empresa e da manutenção dos postos de trabalho, ainda que não podendo ignorar que dos 581 postos de trabalho “salvos” pelo famigerado acordo com a Banca, em Outubro de 2007 – que entregava nas mãos da mesma o valioso e cobiçado terreno das instalações fabris em contrapartida do recebimento de 6,5 milhões de euros –, não restavam se não cerca de um terço e que, desses, mais de metade tinha recebido entretanto carta de despedimento, estando o efectivo da empresa reduzido a escassas sete dezenas de postos de trabalho, muitos dos quais ocupados por pessoal não ligado à produção!
Cúmplices na extinção da Maconde, e consequentemente da Mactrading, foram todos os que apadrinharam o acordo com a Banca - festejado com espumante! - que retirava aos trabalhadores despedidos a possibilidade de serem integralmente indemnizados pela perda dos postos de trabalho; nomeadamente, o Governo PS e a Câmara vilacondense, que apoiaram e permitiram que, através do IAPMEI, o estado continuasse a exportular apoios destinados a “forrar” os bolsos de uma administração que mais não era que uma comissão liquidatária...
Enquanto decorria o processo de “liquidação”, ainda que não havendo dinheiro para salários, corre entre os trabalhadores que os responsáveis da Mactrading compravam lojas e máquinas provenientes de outras insolvências, avançando-se mesmo com a previsível criação de uma outra empresa que, obviamente, já nada terá a ver com a Maconde ou a Mactrading...
Da Maconde que em 2001 facturava cerca de 130 Milhões de euros e que em 2005 afastava a possibilidade de encerrar fábricas em Portugal, não arredando até a hipótese de investir na China (Aurélio Silva, Presidente do Conselho de Administração da Maconde, integrou a comitiva de Jorge Sampaio, na visita àquele país), sobeja para os trabalhadores um sentimento de profunda revolta e frustração, soando-lhe por isso as palavras de Mário Almeida, presidente do município vila-condense (de quem se queixam de falta de apoio), ao dizer que ”...ainda tem esperança de que ainda possa aparecer um investidor para a unidade”, a optimismo despropositado, sem qualquer sustentação.
O PCP, considera que é tempo – e mais que tempo! – de serem apuradas responsabilidades por tudo o que ocorreu ao longo deste processo, incluindo a eventual existência de gestão danosa.
Igualmente, o PCP não deixará de estar atento quanto ao futuro dos terrenos, por muitos considerados como “carne da perna”.
Tal como no País, também em Vila do Conde os tempos são cada vez mais negros para o tecido produtivo, com consequências negativas para a criação de riqueza e de emprego.
As consequências estão à vista, assim como os responsáveis.
Vila do Conde, 12 de Novembro de 2010
A Comissão Concelhia do PCP