Intervenção de Jaime Toga, responsável da ORP no Comício do PCP na Trofa

20111217_comiciotrofa_togaCamaradas e amigos,
Uma saudação a todos os presentes neste comício na Trofa, cuja realização é um motivo de grande satisfação e galvanização para a organização local do PCP, mas também para os democratas que reconhecem o papel e a intervenção dos comunistas na defesa do interesse dos trabalhadores, do povo e do concelho.
Uma intervenção sempre pautada pela coerência e firmeza, que não cede aos interesses ou à conjuntura; que resistiu a provocações e ameaças, designadamente daqueles que a seguir ao 25 Abril descarregaram a sua fúria nos comunistas que realizavam uma sessão pública num local próximo desta Junta de Freguesia.
Nos bons e nos maus momentos, foi com o PCP que a Trofa e os Trofenses puderam contar.
Sabem-no aqueles que trabalharam na Kebir, na Gabor, na Feruni ou na Gamic que quando foram confrontados com o despedimento, só no PCP encontraram o apoio e a solidariedade.

Um apoio e solidariedade que não se resumiu às palavras, que passou pela acção em defesa do pagamento dos créditos a que tinham direito, na denúncia dos atropelos à lei e na apresentação de legislação concreta que salvaguarda direitos do país e dos trabalhadores em caso de deslocalização de multinacionais.
Quando o Povo reclamou a criação do concelho, foi também o PCP que de forma coerente – e aos vários níveis de responsabilidade – apoiou a luta do povo, enquanto que as estruturas do PS, do PSD e do CDS assumiram posições oportunistas e ao sabor dos interesses eleitorais de cada momento.
Quando foi preciso lutar contra a electrificação do antigo troço de caminho de ferro no centro da cidade, também lá estivemos, na primeira linha da defesa da população.

No período de campanhas eleitorais costumamos ouvir todos os Partidos falar em coisas com as quais concordamos.
Mas, passadas as eleições, contados os votos e garantidos os mandatos, o PS, o PSD e o CDS ignoram o que prometeram. Agora até temos a novidade de um Partido, o BE, que cola cartazes na Trofa, mas que ninguém conhece uma proposta que seja para a resolução dos nossos problemas.
É por isso que, nas campanhas eleitorais, todos os partidos se mostram preocupados com os maus cheiros emitidos pela SAVINOR. Mas só o PCP apresentou propostas concretas para a resolução deste problema salvaguardando os postos de trabalho. E esta situação só ainda não está resolvida porque nem o Governo anterior do PS, nem o Governo actual PSD/CDS a quiseram resolver.

Estes mesmos 3 partidos que se preparam para promover um ataque ao Poder Local Democrático e ao desenvolvimento local, acabando com a oposição nas Câmaras Municipais e extinguindo milhares de freguesias, atingindo também o nosso concelho, onde querem acabar com 5 das 8 freguesias da Trofa.
Sobre este assunto, há eleitos locais do CDS até acham que deveriam ir mais longe e acabar com todas as Juntas de Freguesia.
As estruturas locais do PS e do PSD entretêm-se a discutir o acessório, incapazes de perceber que está na força da luta do povo a chave para a defesa dos interesses da Trofa e dos Trofenses, como o processo de luta pelo concelho o provou.
Podemos dizer que não é nada que nos surpreenda. Que estamos habituados a que o PS, o PSD e o CDS digam e façam barbaridades destas.
Até estamos habituados a ouvi-los dizer aqui, na Trofa, que discordam de opções que os seus partidos tomaram no plano nacional.
Por exemplo, aqui na Trofa todos são a favor da construção imediata do Metro.
Na campanha eleitoral PSD e PS até fizeram uma guerra de propaganda para ver quem tinha garantido primeiro a construção da linha de Metro para a Trofa.
Passadas as eleições, trocam acusações sobre os responsáveis por mais um adiamento.
O que eles não dizem, é que o PCP apresentou soluções de financiamento e concretização da obra e eles votaram contra.
O que o PS, o PSD e o CDS estão a esconder, é que não querem construir o Metro para a Trofa.
Caros Camaradas,
A Trofa está hoje confrontada com um sério problema que é o desemprego.
Um problema que diariamente é agravado, com a sucessão de encerramentos de empresas e de despedimentos de trabalhadores, numa espiral que atinge até as mais emblemáticas fábricas da Trofa, como é o caso actual da Mida, a cujos trabalhadores queremos deixar a nossa solidariedade e o apoio na luta pelo emprego.
Um problema que é uma questão nacional, mas que tem neste concelho e no distrito do Porto uma dimensão extremamente grave.
Na Trofa, os números oficiais reconhecem uma taxa de desemprego próxima dos 16%, sendo que mais de metade são desempregados de longa duração.

Confirmando a falta de preocupação com o apoio aos mais desfavorecidos, as opções dos sucessivos governos têm conduzido à crescente exclusão dos desempregados e à perpetuação da “condição de desempregado” numa região e num país onde a economia se encontra em profundo afundamento.
Os dados oficiais traduzem por isso uma dura realidade em que o desemprego aumenta, mas diminui o número de beneficiários do subsídio de desemprego.
Na verdade, dos desempregados registados nos centros de emprego do distrito do Porto, apenas metade recebe qualquer subsídio ou prestação social.
Contudo, a realidade é ainda mais dura. Dos 200 mil desempregados que se estima existirem no distrito, apenas 66 mil, ou seja 33%, recebe qualquer apoio social!

A precariedade laboral é, juntamente com o desemprego, um dos mais graves problemas sociais e económicos do país.
Cresce de forma significativa a utilização de trabalho não declarado, o trabalho à hora ou ao dia, a utilização de contratos a termo, o trabalho temporário, os recibos verdes, entre outras formas de precariedade, que violam escandalosamente a lei.
Hoje, para tarefas que são permanentes nas empresas há cada vez mais trabalhadores com vínculos precários, o que acarreta gravosas consequências para a vida desses trabalhadores, para o tecido produtivo, para a produtividade e para a arrecadação de receitas para o Estado.
A precariedade não pode ser uma realidade à qual o Estado assiste impávido e sereno, não fazendo nada, ou fazendo muito pouco, para a sua erradicação.
Hoje, impõe-se um combate sem tréguas a esta realidade.


Por essa razão apresentamos um Programa de Combate à precariedade e de promoção do emprego com direitos no distrito do Porto.
Trata-se um conjunto de propostas que visam a promoção do emprego com direitos e o combate aos falsos recibos verdes e à utilização abusiva dos contratos a termo, do trabalho temporário, da subdeclaração de rendimentos e de outras formas de trabalho precário.
Um conjunto de propostas que também reforçam os meios da Segurança Social, da Administração Fiscal e da Autoridade para as Condições do Trabalho para intervir neste domínio.
Mas o PS, o PSD e o CDS não estão preocupados com isto e chumbaram esta proposta do PCP.
Para aqueles partidos, o desemprego, a precariedade, as dificuldades financeiras e o drama de milhares de famílias não são preocupação.
Para os partidos da política de direita, só há um caminho. Só vêem o caminho de desastre e de empobrecimento do povo para cumprirem com o pacto de agressão que cozinharam com a troika estrangeira.

Mas é importante que todos tenham presente que nenhum dos grandes problemas da Trofa ou do distrito se resolve sem derrotar esta política e o Pacto de Agressão.
Se dúvidas existissem, lembramos que os partidos da política de direita não permitem a construção do Metro para a Trofa argumentando com a necessidade de cumprir o memorando da Troika.
Não permitem a construção do Centro de Saúde de Santiago de Bougado argumentando com a necessidade de cumprir o memorando da Troika.
Não permitem a construção das Variantes argumentando com a necessidade de cumprir o memorando da Troika.
Roubam nos salários e pensões, facilitam os despedimentos, querem forçar os trabalhadores a trabalhar mais horas sem receber, querem aumentar as taxas moderadoras e encerrar serviços públicos, sempre com a justificação de que é necessário cumprir o memorando da Troika.
Mas nunca, nunca dizem que este é um memorando que o PS, o PSD e o CDS escolheram assinar porque não quiseram afrontar os interesses do grande capital.
É por isso que o combate ao desemprego, a defesa de salários e pensões dignos, de serviços públicos e do desenvolvimento económico passa pela rejeição deste acordo das troikas.

Os trabalhadores e o Povo desta região sabem que podem continuar a contar com o PCP na luta pelo emprego com direitos e por salários dignos, na defesa do Metro para a Trofa, contra a extinção de freguesias, pela construção das variantes, pela construção do Centro de Saúde em Santiago de Bougado.


Mas esta luta será tanto mais forte quanto mais força nos deram. Uma força que não se mede apenas nas eleições. Uma força que se mede na luta pelos interesses de todos os que são atingidos por esta política, no apoio à acção do PCP e no reforço da sua organização.

Por isso, é hora de dizer a todos esses que nos conhecem. A todos os que reconhecem a coerência do PCP, que encontram no PCP – e só no PCP – a força que sempre defendeu os seus interesses... é hora de dizer a todos estes que chegou o momento de dar o passo e aderir ao PCP, reforçando este grande colectivo partidário e dando mais força à luta que travamos.
Conscientes de que não temos um caminho fácil pela frente, assumimos com força, firmeza e combatividade – mas também com uma grande alegria e confiança – que cá estamos para lutar contra as injustiças, pelo progresso e o desenvolvimento do concelho, da região e do país.

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